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sábado, 9 de outubro de 2010

Dia das Crianças: eles também tiveram o seu




Em 2009, a edição de Dia das Crianças do Mala da Lista celebrou as cinco melhores capas de álbuns protagonizadas por meninas e meninos, e as cinco mais legais com bebê. Este ano, especialíssimo pelo nascimento do André, o Malinha da Lista da foto acima, pede comemoração ainda mais dedicada, em moldes parecidos.

Por isso aqui vai nova seleção de portadas, só que agora valem apenas as que trazem fotos dos próprios artistas quando pequenos.

*“Go Back”, dos Titãs, seria uma das favoritas, mas dança porque foi utilizada no post do ano passado (faltou visão a longo prazo ao Mala, que ainda não havia concebido um top 10 só com os futuros astros).

 

10-Beto Guedes – “A Página do Relâmpago Elétrico” (1977)


A sensacional foto que ilustra “Clube da Esquina” (1972), o campeão do outro post de capas infantis, fez escola na turma de Milton e Lô Borges. O chapa Beto Guedes quis uma parecida logo no trabalho de estreia.



9-John McLaughlin – “Electric Guitarrist” (1979)



É impressão minha ou transparece um certo ar de maturidade no olhar do então jovem guitarrista inglês? Ele parece mais velho, não?



8-Caetano Veloso – “Uns” (1983)


Caetano já disse que esta é uma de suas capas preferidas. Deve ser não só pelo aspecto nostálgico, mas também porque os que aparecem na foto em sua companhia são seus irmãos Rodrigo e Roberto.



7-Johnny Cash – “American VI: Ain’t No Grave” (2010)



Percebe-se que pouca coisa mudou na fisionomia de Johnny Cash entre as quase sete décadas que separam sua infância de sua morte, em 2003. O retrato estampa seu recém-lançado álbum póstumo, com sobras de sua aclamada série de regravações “American”. Inclui sua composição “I Corinthians 15:55” que, dizem, teve inspiração bíblica. Mas não sei não, está mais para o horário em que a Fiel se senta à frente da TV aos domingos.



6-Eric Clapton – “Reptile” (2001)

Como o número 7 e outros dois deste top 10 sugerem, este tipo de capa esteve em alta na última década. Esta com Clapton é das mais simpáticas.



5-Stan Getz – “Captain Marvel” (1972)



Outra, digamos, fofa. E um elemento “raízes”para contrabalancear a mudança de estilo de Getz, que neste disco mandava um abraço às tradições e aderia à novidade daquele período, o jazz fusion.



4-Billy Cobham – “Life & Times” (1976)



Já que falamos em jazz fusion, um dos mais notáveis bateristas do gênero também acatou a ideia de revisitar os “early years” na capa. O efeito da mão segurando a foto envelhecida – o panamenho Cobham tinha 6 anos então – ainda deu um toque extra de beleza.


3-Paul McCartney – “Chaos & Creation in the Backyard” (2005)



Nem mesmo entre os Beatles a ideia fora original, pois John Lennon já reverenciara sua juventude na embalagem de “Rock’n’Roll”, seu disco revivalista de 1975. Mas a capa deste senhor álbum de Paul, produzido por Nigel Godrich (o homem por trás dos discos do Radiohead), brilha por mostrá-lo já sendo um músico mirim, mesmo estando no desestimulante cenário formado por lençóis lavados pela Sra. McCartney. Ah, e a de Lennon fica de fora porque na verdade ele já era um jovem adulto quando se deixou clicar em jaqueta de couro.


2-Phil Collins – “Going Back” (2010)



Nos mesmos moldes do número 3, um histórico registro de Phil Collins já se aventurando com as baquetas anos luz-antes do estrelato. A imagem condiz, aliás, com a proposta deste disco que acaba de sair, preenchido por releituras de canções que ele ouvia na juventude (para isso até monstros sagrados dos estúdios da Motown, como o baixista Bob Babbitt, foram recrutados). Mas... OK, admito: a capa é incrível na verdade por atestar que sim, um dia Phil Collins teve cabelo!


1-Lil Wayne – “Tha Carter III” (2008)


Não precisava da brincadeira photoshopística de enxertar na foto os badulaques gangsta (as tatoos e os anéis de ouro); nem do sempre vendável selo de “Parental Advisory”; também não importa o fato de pelo menos outros dois rappers mainstream já terem estampado suas bolachas com fotos de crianças antes (Nas em “Illmatic” com imagem dele menino, e Notorious B.I.G. em “Ready to Die” com um baby alheio). Nada impediria Lil Wayne de levar o trono com esta capa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Happy Tree Friends







A última semana foi agitada e o Mala da Lista comeu barriga. As desculpas são para lá de nobres: revolução decorativa e mobiliária em casa – o Malinha da Lista não demorará em aportar por aqui – e início da temporada de festivais com o sempre ponta firme Primavera Sound (OK, um rápido top 5 shows: 5-Pavement 4-Pixies 3- Superchunk 2-Tortoise 1-Grizzly Bear).


Mas nunca é tarde para retomar o fio da meada. E, antes que vocês tenham suas caixas de entrada inundadas pelas mensagens de conscientização sobre 5 de junho, o Dia do Meio Ambiente, o blog dribla os mecanismos de spam para uma homenagem light a este nosso mundo tão, mas tão castigado. Eu deveria plantar uma árvore, mas como isso só vai acontecer depois que eu tiver um filho – pelo menos não demora... - aqui vão então as 10 melhores capas de discos com árvores.


*Menção honrosa para o Creedence Clearwater Revival, cujos três primeiros álbuns trazem capas com seus integrantes sob a sombra de árvores. Uma comovente proto-ecologia musical, mas que esteticamente deixou a desejar.



10-Sonic Youth – “Made in USA” (1986)



Mirradinha e solitária, mas com um enigmático charme extra. A arvoreta da capa é parecida com trilha de filme criada pelo quarteto novaiorquino. O detalhe ainda mais legal é que a etiqueta amarela com preço faz parte do projeto gráfico original.






9-Kassin + 2 – “Futurismo” (2006)




A visão do que parecem ser umas palmeiras em um pôr-do-sol em uma foto texturizada é bacana, embora insuficiente para sugerir o conteúdo que o encarte carrega: um dos bons discos brasileiros produzidos na última década. E cuja menção ao “cheiro de cocô e Luxi Luxo no banheiro da casa dela”, na faixa “Namorados”, não dá mesmo para deixar passar em branco. Luxi, e não Lux Luxo.






8-Milton Nascimento – “Encontros e Despedidas” (1985)




Pode parecer uma foto poética, mas quem garante que o Bituca não estava pura e simplesmente escapando para dar uma mijadinha?






7-Temptations – “All Directions” (1972)





Para o mais célebre grupo vocal da Motown, uma nova e psicodélica fase não seria traduzida apenas pela adesão às guitarras wah-wah e aos grooves hipnóticos de 12 minutos (“Papa Was a Rolling Stone” é deste álbum). Era também preciso caprichar nos panos coloridos e subir numa árvore. Não me perguntem o porquê.






6-Yoko Ono – “Plastic Ono Band” (1970)



Yoko e John (os nomes dispostos ao contrários soam estranhos, não?) já haviam posado nus numa portada. Matas selvagens em capas de discos, portanto, era com eles mesmos.






5-Passport – “Ataraxia” (1977)



Um bom exemplo de como os grupos de rock progressivo e fusion dos anos 1970 ilustravam seus trabalhos, com recursos meio fuleiros inspirados nos surrealistas. A banda gostou e voltou a usar árvores em “Garden of Eden”, de 1979.






4-Eric Clapton – “461 Ocean Boulevard” (1974)



Este foi o primeiro álbum do Clapton pós-heroína. Há quem diga que ele nunca fez mais nada que prestasse depois que largou as drogas pesadas. Não sou tão claptonmaníaco assim para me aprofundar na questão, e esse disco é classe, mas não deixa de ser uma teoria bastante engraçada. Até porque, como a capa aqui sugere, roqueiro vivendo de água de côco não dá muito pé, não.






3-Neil Young and Crazy Horse – “Everybody Knows This is Nowhere” (1969)



Outra vez, a eternização de um aparente momento relacionado a necessidades fisiológicas sendo feitas. No caso, as do cão do velho Neil. Uma imagem tão clássica quanto o impecável álbum.






2-Echo & the Bunnymen “Crocodiles” (1980)



Ávidos por realçar a atmosfera misteriosa e até certo ponto sombria de seu som, os Homens-Coelho se bateram para uma floresta inglesa à noite para criar a foto de sua bolacha de estreia. E o mais legal é que a selva parece de mentira! Ah, a magia da estética dos anos 1980...






1-Chico Buarque – “Chico Buarque de Hollanda Vol. 2” (1967)






Montanhas, Chico Buarque pós-adolescente de botas e gola alta, o violão a postos. Árvore provendo sombra, riozinho entrando com a água fresca. Nascia o mito do Don Juan da música brasileira.