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terça-feira, 1 de junho de 2010

Happy Tree Friends







A última semana foi agitada e o Mala da Lista comeu barriga. As desculpas são para lá de nobres: revolução decorativa e mobiliária em casa – o Malinha da Lista não demorará em aportar por aqui – e início da temporada de festivais com o sempre ponta firme Primavera Sound (OK, um rápido top 5 shows: 5-Pavement 4-Pixies 3- Superchunk 2-Tortoise 1-Grizzly Bear).


Mas nunca é tarde para retomar o fio da meada. E, antes que vocês tenham suas caixas de entrada inundadas pelas mensagens de conscientização sobre 5 de junho, o Dia do Meio Ambiente, o blog dribla os mecanismos de spam para uma homenagem light a este nosso mundo tão, mas tão castigado. Eu deveria plantar uma árvore, mas como isso só vai acontecer depois que eu tiver um filho – pelo menos não demora... - aqui vão então as 10 melhores capas de discos com árvores.


*Menção honrosa para o Creedence Clearwater Revival, cujos três primeiros álbuns trazem capas com seus integrantes sob a sombra de árvores. Uma comovente proto-ecologia musical, mas que esteticamente deixou a desejar.



10-Sonic Youth – “Made in USA” (1986)



Mirradinha e solitária, mas com um enigmático charme extra. A arvoreta da capa é parecida com trilha de filme criada pelo quarteto novaiorquino. O detalhe ainda mais legal é que a etiqueta amarela com preço faz parte do projeto gráfico original.






9-Kassin + 2 – “Futurismo” (2006)




A visão do que parecem ser umas palmeiras em um pôr-do-sol em uma foto texturizada é bacana, embora insuficiente para sugerir o conteúdo que o encarte carrega: um dos bons discos brasileiros produzidos na última década. E cuja menção ao “cheiro de cocô e Luxi Luxo no banheiro da casa dela”, na faixa “Namorados”, não dá mesmo para deixar passar em branco. Luxi, e não Lux Luxo.






8-Milton Nascimento – “Encontros e Despedidas” (1985)




Pode parecer uma foto poética, mas quem garante que o Bituca não estava pura e simplesmente escapando para dar uma mijadinha?






7-Temptations – “All Directions” (1972)





Para o mais célebre grupo vocal da Motown, uma nova e psicodélica fase não seria traduzida apenas pela adesão às guitarras wah-wah e aos grooves hipnóticos de 12 minutos (“Papa Was a Rolling Stone” é deste álbum). Era também preciso caprichar nos panos coloridos e subir numa árvore. Não me perguntem o porquê.






6-Yoko Ono – “Plastic Ono Band” (1970)



Yoko e John (os nomes dispostos ao contrários soam estranhos, não?) já haviam posado nus numa portada. Matas selvagens em capas de discos, portanto, era com eles mesmos.






5-Passport – “Ataraxia” (1977)



Um bom exemplo de como os grupos de rock progressivo e fusion dos anos 1970 ilustravam seus trabalhos, com recursos meio fuleiros inspirados nos surrealistas. A banda gostou e voltou a usar árvores em “Garden of Eden”, de 1979.






4-Eric Clapton – “461 Ocean Boulevard” (1974)



Este foi o primeiro álbum do Clapton pós-heroína. Há quem diga que ele nunca fez mais nada que prestasse depois que largou as drogas pesadas. Não sou tão claptonmaníaco assim para me aprofundar na questão, e esse disco é classe, mas não deixa de ser uma teoria bastante engraçada. Até porque, como a capa aqui sugere, roqueiro vivendo de água de côco não dá muito pé, não.






3-Neil Young and Crazy Horse – “Everybody Knows This is Nowhere” (1969)



Outra vez, a eternização de um aparente momento relacionado a necessidades fisiológicas sendo feitas. No caso, as do cão do velho Neil. Uma imagem tão clássica quanto o impecável álbum.






2-Echo & the Bunnymen “Crocodiles” (1980)



Ávidos por realçar a atmosfera misteriosa e até certo ponto sombria de seu som, os Homens-Coelho se bateram para uma floresta inglesa à noite para criar a foto de sua bolacha de estreia. E o mais legal é que a selva parece de mentira! Ah, a magia da estética dos anos 1980...






1-Chico Buarque – “Chico Buarque de Hollanda Vol. 2” (1967)






Montanhas, Chico Buarque pós-adolescente de botas e gola alta, o violão a postos. Árvore provendo sombra, riozinho entrando com a água fresca. Nascia o mito do Don Juan da música brasileira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não corto



Na semana passada ocorreu finalmente comigo o que eu vinha temendo nos quatro anos em que moro em Barcelona: sair do barbeiro com um mullet não encomendado. Na Espanha, e muito especialmente na Catalunha, o inexplicável revival do mais execrável dos cortes de cabelo de nossa geração continua a todo vapor, e se você não entra no salão dando ordens expressas sobre evitar o temido hairdo, volta para casa literalmente no maior Xororó. Desesperado diante do primeiro espelho de carro com que topei na saída, corri de volta à cadeira e supliquei pela correção do erro.

O final foi feliz, mas não pude deixar de lembrar de outros capítulos da série “momentos marcantes de barbeiros e cabeleireiras em minha vida”. Sobretudo aqueles envolvendo o “ser cabeludo”: o quanto tardei para decidir tosar a cabeleira de pré-roqueiro aos 13 anos; e o quão bizarro foi raspar a juba – esta sim, volumosa e comprida - que cultivei entre os 14 e 17, para em seguida vendê-la por 60 reais a Mirta, uma cabeleireira da Rua Augusta. Lembro como se fosse hoje. Eu, incredulamente calvo, admirando a foto que Mirta tinha com Cauby Peixoto na parede.

A peculiar nostalgia ativou os arquivos do departamento de associações sonoras do Mala da Lista. E o blog homenageia aqui os bravos sobreviventes das eternas brigas enfrentadas diariamente com pais, professores e chefes, sempre ávidos em escalpelar a alegria alheia. 5 grandes canções sobre cortar ou não o cabelo. E um brinde aos que não vão cortar nunca: os Metaleiros e o Dudu Tsuda.



5-Crosby, Stills, Nash & Young - “Almost Cut My Hair” (1970)

Vietnã, drogas, policiais, bad trips. Por pelo menos um momento, David Crosby achou que não seguraria a barra e quase cortou o cabelo. Quase. Quando ele voltou a se encontrar com Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young em meados da década passada, os fios (de todos) eram brancos, mas ainda tão longos quanto em 1970.






4-Pretenders - “Don’t Cut Your Hair” (2008)

Quase duas décadas sem disco para voltar pedindo à tchurma que não corte o cabelo. Chrissie Hynde pelo menos fez sua parte, mantendo o estilo “pica-pau” que tanto fez escola em roqueiras pós-Pretenders.






3-Nipônicos Anônimos – “Cabelereira do Zezé” (2009)

As boas marchinhas quase sempre são politicamente incorretas. É o caso desta, que mesmo dando margem à interpretação homofóbica, é genial. E as boas marchinhas têm também o mesmo impacto cru e veloz de uma canção dos Ramones. Dá para notar isso quando despimos a composição dos anos 1960, creditada a Roberto Faissal e João Roberto Kelly, a um arranjo (involuntariamente) minimalista deste grupo de nipo-brasileiros anônimos. É grito de guerra, parte 1, parte 2 e ponto final.






2-Pavement – “Cut Your Hair” (1994)

“Did you see the drummer’s hair?”. Eram os intelectuais do Pavement brincando com as mazelas da imagem no mundo pop. Para isso, até um gorila aparando o couro cabeludo entrou na dança.






1-Oswaldo Nunes – “Deixa o Meu Cabelo em Paz” (1969)

O título da música já seria a melhor mensagem anti-escalpo. Mas não fica só por isso: “Sou jovem avançado, estou na onda, o que é que há”. E ainda é um samba-rock para lá de grudento. Escute aqui ou divirta-se com o português bebaço cantarolando este clássico na rua.








quinta-feira, 18 de março de 2010

Glauco




Não vai dar para escapar do desgradável e tristíssimo assunto da semana, o assassinato do cartunista Glauco e seu filho Raoni. Graças ao fanatismo religioso, esta praga que mata mais do que tsunamis e terremotos, a tríplice entente do humor sequencial corrosivo paulistano ficou órfã de um de seus vértices – os outros, todo mundo sabe, são Angeli e Laerte. Glauco era para mim o medalha de bronze entre os três, mas adoro e continuarei a adorar o tosco personagem Geraldão e as charges políticas, destaques em meio a outros milhares de trabalhos do desenhista.

Sua astúcia e traço inimitável faz com que cada quadrinho, sozinho, pudesse render facilmente uma capa de disco. Mas, se não me engano, Glauco nunca assinou a arte de uma bolacha ou um CD. Precisaria vasculhar nos sebos paulistanos para confirmar isso, e não será possível agora, portanto alguém me avise se estiver enganado.

Mas alguma homenagem a Glauco, mesmo que indireta e rápida, este blog teria que prestar, dentro da esfera musical. Então aqui vão cinco capas de álbuns influenciadas por quadrinhos. Ou seja, que têm pelo menos os balõezinhos. E um brinde ao humor ácido.

5-The Mothers of Invention – “Freak Out!” (1966)

Leitura psicodélica Jack Anesh para o disco duplo de estreia da banda de Frank Zappa.



4-Pavement – “Wowee Zowee!” (1995)

De Steve Knee, que já fex capas para Apples in Stereo e Dave Matthews Band. Coincidência: “Wowie Zowie” é o nome de uma música do disco do Mothers aí em cima.




3-Planet Hemp – “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça” (2000)

O melhor e mais eclético disco – e o último de estúdio – da banda carioca e sua ótima capa estilo HQ na favela.



2-Sonic Youth – “Goo” (1990)

Um clássico na onda de Roy Liechtenstein. Do artista Raymond Pettibon, irmão de Greg Ginn, do Black Flag, com base em uma foto de Maureen Hindley e David Smith. Eles estavam a caminho do julgamento da irmã de Maureen, Myra e Ian Brady, casal de serial killers ativo na Inglaterra nos anos 1960.


1- Big Brother & the Holding Company – “Cheap Thrills” (1968)

A mais famosa entre as várias capas de disco que o gênio Robert Crumb criou foi essa para a banda de Janis Joplin. Entre as outras que assinou, várias foram para seu próprio grupo musical, The Cheap Suit Serenaders.