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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Barcelona Muitos Graus



O amigo e jornalista Fernando Gueiros avisou sobre esta bacana lista de "discos de praia". Além de relembrar o quanto eu gosto do número 1 (trabalho homônimo de estréia dos B52’s), este top 10 me estimulou a desovar, como fazem as tartarugas quando vão às praias, uma lista de capas que havia preparado com o tema. O tema “praias”, e não o tema “tartarugas”, como vocês poderão observar. Até porque, com o calor que anda fazendo em Barcelona, não dá muito para fugir do assunto.

10-New Order – “Republic” (1993)


Vai uma capa conceitual aí?



9-The Pandoras – “Hot Generation / You Don’t Satisfy” (single, 1984)

Ou prefere uma mais pseudo-sexy?




8-Neil Young – “On the Beach” (1974)


Talvez você faça o estilo farofeiro…



7-Kings of Convenience – “Declaration of Independence” (2009)


…ou ande com os malas do violão.



6-Caetano Veloso – “Cinema Transcendental” (1979)


E por falar em malas do violão…



5-The Soft Pack – “The Soft Pack” (2010)


Escolha qual dos integrantes tem menos intimidade com o cenário.



4-Beach Boys – “Surfin’ Safari” (1962)


Nós vamos invadir, ou melhor, nós já invadimos a sua praia.



3-Roberto Carlos – “Roberto Carlos” (1969)


As curvas da estrada de Santos levavam a brancas areias. Areias das pulseiras, dos cachimbos, das próteses ortopédicas e de um par de proto-London Fogs.



2-Miles Davis – “Bitches Brew (1970)


Lembrando que Miles usou “bitches” (putas) e não “beaches” (praias) no título. Seria um trocadilho com “witches brew” (poção das bruxas), segundo alguns fóruns. Ou seja, “poção de putas”. É isso, Miles?



1-The Cure – “Standing on a Beach” (1986)


O velho e o mar, de Hemingway, transformados em capa desta (ótima) coletânea. Uma das mais melancolicamente belas entre todas já feitas, aliás.






terça-feira, 1 de junho de 2010

Happy Tree Friends







A última semana foi agitada e o Mala da Lista comeu barriga. As desculpas são para lá de nobres: revolução decorativa e mobiliária em casa – o Malinha da Lista não demorará em aportar por aqui – e início da temporada de festivais com o sempre ponta firme Primavera Sound (OK, um rápido top 5 shows: 5-Pavement 4-Pixies 3- Superchunk 2-Tortoise 1-Grizzly Bear).


Mas nunca é tarde para retomar o fio da meada. E, antes que vocês tenham suas caixas de entrada inundadas pelas mensagens de conscientização sobre 5 de junho, o Dia do Meio Ambiente, o blog dribla os mecanismos de spam para uma homenagem light a este nosso mundo tão, mas tão castigado. Eu deveria plantar uma árvore, mas como isso só vai acontecer depois que eu tiver um filho – pelo menos não demora... - aqui vão então as 10 melhores capas de discos com árvores.


*Menção honrosa para o Creedence Clearwater Revival, cujos três primeiros álbuns trazem capas com seus integrantes sob a sombra de árvores. Uma comovente proto-ecologia musical, mas que esteticamente deixou a desejar.



10-Sonic Youth – “Made in USA” (1986)



Mirradinha e solitária, mas com um enigmático charme extra. A arvoreta da capa é parecida com trilha de filme criada pelo quarteto novaiorquino. O detalhe ainda mais legal é que a etiqueta amarela com preço faz parte do projeto gráfico original.






9-Kassin + 2 – “Futurismo” (2006)




A visão do que parecem ser umas palmeiras em um pôr-do-sol em uma foto texturizada é bacana, embora insuficiente para sugerir o conteúdo que o encarte carrega: um dos bons discos brasileiros produzidos na última década. E cuja menção ao “cheiro de cocô e Luxi Luxo no banheiro da casa dela”, na faixa “Namorados”, não dá mesmo para deixar passar em branco. Luxi, e não Lux Luxo.






8-Milton Nascimento – “Encontros e Despedidas” (1985)




Pode parecer uma foto poética, mas quem garante que o Bituca não estava pura e simplesmente escapando para dar uma mijadinha?






7-Temptations – “All Directions” (1972)





Para o mais célebre grupo vocal da Motown, uma nova e psicodélica fase não seria traduzida apenas pela adesão às guitarras wah-wah e aos grooves hipnóticos de 12 minutos (“Papa Was a Rolling Stone” é deste álbum). Era também preciso caprichar nos panos coloridos e subir numa árvore. Não me perguntem o porquê.






6-Yoko Ono – “Plastic Ono Band” (1970)



Yoko e John (os nomes dispostos ao contrários soam estranhos, não?) já haviam posado nus numa portada. Matas selvagens em capas de discos, portanto, era com eles mesmos.






5-Passport – “Ataraxia” (1977)



Um bom exemplo de como os grupos de rock progressivo e fusion dos anos 1970 ilustravam seus trabalhos, com recursos meio fuleiros inspirados nos surrealistas. A banda gostou e voltou a usar árvores em “Garden of Eden”, de 1979.






4-Eric Clapton – “461 Ocean Boulevard” (1974)



Este foi o primeiro álbum do Clapton pós-heroína. Há quem diga que ele nunca fez mais nada que prestasse depois que largou as drogas pesadas. Não sou tão claptonmaníaco assim para me aprofundar na questão, e esse disco é classe, mas não deixa de ser uma teoria bastante engraçada. Até porque, como a capa aqui sugere, roqueiro vivendo de água de côco não dá muito pé, não.






3-Neil Young and Crazy Horse – “Everybody Knows This is Nowhere” (1969)



Outra vez, a eternização de um aparente momento relacionado a necessidades fisiológicas sendo feitas. No caso, as do cão do velho Neil. Uma imagem tão clássica quanto o impecável álbum.






2-Echo & the Bunnymen “Crocodiles” (1980)



Ávidos por realçar a atmosfera misteriosa e até certo ponto sombria de seu som, os Homens-Coelho se bateram para uma floresta inglesa à noite para criar a foto de sua bolacha de estreia. E o mais legal é que a selva parece de mentira! Ah, a magia da estética dos anos 1980...






1-Chico Buarque – “Chico Buarque de Hollanda Vol. 2” (1967)






Montanhas, Chico Buarque pós-adolescente de botas e gola alta, o violão a postos. Árvore provendo sombra, riozinho entrando com a água fresca. Nascia o mito do Don Juan da música brasileira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não corto



Na semana passada ocorreu finalmente comigo o que eu vinha temendo nos quatro anos em que moro em Barcelona: sair do barbeiro com um mullet não encomendado. Na Espanha, e muito especialmente na Catalunha, o inexplicável revival do mais execrável dos cortes de cabelo de nossa geração continua a todo vapor, e se você não entra no salão dando ordens expressas sobre evitar o temido hairdo, volta para casa literalmente no maior Xororó. Desesperado diante do primeiro espelho de carro com que topei na saída, corri de volta à cadeira e supliquei pela correção do erro.

O final foi feliz, mas não pude deixar de lembrar de outros capítulos da série “momentos marcantes de barbeiros e cabeleireiras em minha vida”. Sobretudo aqueles envolvendo o “ser cabeludo”: o quanto tardei para decidir tosar a cabeleira de pré-roqueiro aos 13 anos; e o quão bizarro foi raspar a juba – esta sim, volumosa e comprida - que cultivei entre os 14 e 17, para em seguida vendê-la por 60 reais a Mirta, uma cabeleireira da Rua Augusta. Lembro como se fosse hoje. Eu, incredulamente calvo, admirando a foto que Mirta tinha com Cauby Peixoto na parede.

A peculiar nostalgia ativou os arquivos do departamento de associações sonoras do Mala da Lista. E o blog homenageia aqui os bravos sobreviventes das eternas brigas enfrentadas diariamente com pais, professores e chefes, sempre ávidos em escalpelar a alegria alheia. 5 grandes canções sobre cortar ou não o cabelo. E um brinde aos que não vão cortar nunca: os Metaleiros e o Dudu Tsuda.



5-Crosby, Stills, Nash & Young - “Almost Cut My Hair” (1970)

Vietnã, drogas, policiais, bad trips. Por pelo menos um momento, David Crosby achou que não seguraria a barra e quase cortou o cabelo. Quase. Quando ele voltou a se encontrar com Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young em meados da década passada, os fios (de todos) eram brancos, mas ainda tão longos quanto em 1970.






4-Pretenders - “Don’t Cut Your Hair” (2008)

Quase duas décadas sem disco para voltar pedindo à tchurma que não corte o cabelo. Chrissie Hynde pelo menos fez sua parte, mantendo o estilo “pica-pau” que tanto fez escola em roqueiras pós-Pretenders.






3-Nipônicos Anônimos – “Cabelereira do Zezé” (2009)

As boas marchinhas quase sempre são politicamente incorretas. É o caso desta, que mesmo dando margem à interpretação homofóbica, é genial. E as boas marchinhas têm também o mesmo impacto cru e veloz de uma canção dos Ramones. Dá para notar isso quando despimos a composição dos anos 1960, creditada a Roberto Faissal e João Roberto Kelly, a um arranjo (involuntariamente) minimalista deste grupo de nipo-brasileiros anônimos. É grito de guerra, parte 1, parte 2 e ponto final.






2-Pavement – “Cut Your Hair” (1994)

“Did you see the drummer’s hair?”. Eram os intelectuais do Pavement brincando com as mazelas da imagem no mundo pop. Para isso, até um gorila aparando o couro cabeludo entrou na dança.






1-Oswaldo Nunes – “Deixa o Meu Cabelo em Paz” (1969)

O título da música já seria a melhor mensagem anti-escalpo. Mas não fica só por isso: “Sou jovem avançado, estou na onda, o que é que há”. E ainda é um samba-rock para lá de grudento. Escute aqui ou divirta-se com o português bebaço cantarolando este clássico na rua.








quarta-feira, 28 de abril de 2010

Aeroporto 2010



Balcão de check-in, esta segunda-feira de manhã, aeroporto de Barcelona:

-Señor Setti, tu reserva ha sido cancelada.

Suo frio. Gaguejo no idioma que não é o meu. O jogador de seis dezenas de milhões de euros que me daria alguns minutos preciosos para uma entrevista na capital, naquela mesma tarde, jamais me permitiria uma segunda chance.

Deve ser culpa do Eyjafjallajökull, resmungo mentalmente. Andreu Buenafuente, o humorista mais famoso da Espanha, havia dito que o nome do vulcão islandês fora criado quando algum geólogo apoiou o cotovelo no teclado, antes de enviar explicações sobre sua erupção. Só uma coisa como estas pode esculhambar o tráfego aéreo europeu por vários dias; só uma coisa dessas pode causar o cancelamento do meu voo.

Mas não, logo me dou conta. É besteira humana (não minha!), e não magma, a razão de meu contratempo. E enquanto corro praguejando ao guichê mais próximo para comprar uma passagem quatro vezes mais cara de última hora, lembro do quanto já não gosto de viajar em aviões. Decolagens apavorantes, aterrissagens bruscas, aeromoças de mala leche, joelhos doloridos, tímpanos palpitantes. Acalmo, porém, quando lembro de que tenho no forno um top 10 agora mais do que apropriado para a semana, envolvendo aeronaves, aeroportos, comissários de bordo e outros clássicos catalogados pela Infraero. No caso, eles aparecem aqui homenageados (exorcizados?) em uma compilação de capas de discos.

Portanto afivelem os cintos - “afivelar” é um verbo sensacional -, coloquem as poltronas na posição vertical, mantenham os sacos de vômito à mão e boa viagem.




10-Neil Young – “Landing on Water” (1986)



Fico imaginando o velho Neil escorregando pelas saídas de emergência, com sua velha Gibson a tiracolo. E nada mais.



9-Git Head – “Landing” (2009)




Da outra banda de Colin Newman, do Wire.



8-Men At Work – “Cargo” (1983)



Um bom plano para evacuar uma ilha seria enviar um carregamento aéreo de discos do Men At Work.



7- Carlos Malcolm & his Afro-Jamaican Rhythms – “Space Flight” (1964)



…ou “as velhas orquestras de ska só viajam com Pan American!!!”


6-Autoramas – “Teletransporte” (2007)



O cara de boné, desconfio, é o baterista da banda carioca, Bacalhau. Um nome sensacional, diga-se de passagem.


5-Hepcat – “Right on Time” (1998)



Outra vez ska. Será que dão passagens grátis para os capistas de bandas de ska que promovem aeroportos?


4-The Darkness – “Permission to Land” (2003)



Não será preciso dizer nada.


3-Jorge Ben – “Alô Alô, como Vai” (1980)



A ideia já é boa. Mas o melhor é a aeronave ser das Aerolineas Argentinas. Não seria tão legal se fosse da Varig ou, sei lá, Transbrasil.


2-Beasty Boys – “License to Ill” (1986)




Da série de capas que, completas (ou seja, com o encarte todo aberto), ganham outro sentido. Aliás, em breve vem aí um posto sobre elas.

 
1-Blind Faith – “Blind Faith” (1969)




As lendas são muitas. Dizem que a menina tinha onze anos. Também comenta-se que ela chegou a ser escravizada pelos integrantes do supergrupo – leia-se Eric Clapton, Ginger Baker e Steve Winwood, para citar os famosos -. E que não ganhou mais do que 40 libras por exibir seus dotes de menina púbere. Provocador ao extremo e histórico.