quinta-feira, 5 de julho de 2012

Minha Vida, Minha História, Meu Amor


A caráter, o Mala da Lista posa para Anita

“Dani, acho que foi um presságio: quando você não estava aqui, o André foi ao nosso quarto e voltou correndo com a chupeta do Corinthians na mão, tentando tirá-la do pacote”.

A noite do primeiro título corintiano na Libertadores, que terminaria às seis da manhã com este blogueiro transfigurado, bêbado, enrolado numa bandeira preta e branca, uivando rouco e solitário sobre uma bicicleta em cruzeiro pelas ruas de Barcelona, não poderia ter começado com melhores vibrações.

Minha amada Anita, respeitabilíssima sãopaulina, confirmava as tendências alvinegras 0% forçadas de nosso filhinho de dois anos – tão pouco impostas que a chupeta estava fechada, esperando ser procurada. Confirmava, também, sua mediúnica capacidade de prever conquistas (ela mesma tinha me dito lá pelas oitavas ou quartas de final: “o Corinthians será campeão”, e em 2005 antevira o caneco do seu time bem antes da hora).

Este post, que traz a primeira lista republicada do Mala da Lista, é 100% mística futebolística. Vivi esse campeonato sul-americano tão intensamente, varando ou interrompendo a solavancos 12 madrugadas (os jogos começavam às 3 da manha da hora espanhola, e às 8 o André levanta para ir à escolinha) que só agora me dei conta que o blog completa três anos de idade exatamente... HOJE (os outros post de aniversário são este e este).

Que 5 de julho mais feliz.

Dedico o ranking abaixo, de melhores músicas sobre o Corinthians – originalmente publicado em 5 de dezembro de 2011, para celebrar nosso pentacampeonato brasileiro - ao André e a meus companheiros de sofrimento e êxtase na finalíssima capturada em trêmulas transmissões online: meu pai Ricardo, meu amigo Mário e minha irmã Adriana.

Especialmente ela, Adri, o talismã da Fiel, que na sua primeira ida a um estádio, em 1987, iluminou o Coringão em um massacre por 5 a 1 sobre o Santos. Eu passara meus primeiros dois anos de estádio (1985-1987) vendo meu time perder. Mas com ela lavaria a alma, ao lado de um pai em transe, em sua primeira - e provavelmente última -aparição em público de camisa aberta, a voz reduzida a um fio gutural de tanto xingar o uruguaio Hugo De León. Aquele jejum acabara.

Como todos os jejuns um dia acabam.

10-Jackson do Pandeiro – “Bola de Pé em Pé” (1981)
A música em princípio era sobre o Flamengo, mas o Rei do Ritmo não resistiu:
Em São Paulo eu sou Corinthians,Eu adoro o Timão
por que será que eu gosto de sofrer?
Vai ver que agora eu dei pra masoquista
Meu amor branco e preto
Às vezes me deixou na mão.



9-Negra Li e Rappin’ Hood – “Sou Corinthians” (2010)
No centenário, um verdadeiro beabá de guerreiros e suas proezas:
O gol de Viola/O chute de Basílio/ A classe do Doutor e a fé de Marcelinho

8-Xis – “Chapa o Côco” (2001)
Clássico, Timão contra us porco/ Eu vou pru estádio/ Na vitória na derrota eu to do mesmo lado

7- Demônios da Garoa – “Coríntia (Meu Amor é o Timão)” (???)
Adoniran Barbosa, o autor da canção, prestava também sensacional tributo à Zona Leste de São Paulo:
Como é bom ser alvinegro/ ontem, hoje e amanhã /Respirar o ar mistura /Do Tietê a Tatuapé

6-Branca de Neve – “Garra Corintiana” (1989)
Composta com um cidadão chamado Luiz Carlos Xuxu:
Vai, vai, vai/ São Jorge vai nos ajudar
Vai, vai, vai/ São Jorge também vai jogar

5-Rita Lee – “Amor em Preto e Branco” (1972)
Com Arnaldo Baptista, a tortura do jejum sem títulos:

4-Paulinho Nogueira e Toquinho – “20 Anos de Espera” (1974)
Antes do “Vai Corinthians” houve o “Ai Corinthians” de quem esperou 23 anos por um caneco:
Quantos domingos sombrios / Eu, eterno sonhador /Chegava em casa arrasado / Maltratava o meu grande amor

3-Gilberto Gil – “Corintiá” (1984)
Gil sabe o suficiente de futebol:
Ser corintiano é decidir/ Que todo ano a gente vai sofrer /Se enrolar no pano da bandeira/ E reclamar se o time não vencer

2-Sílvio Santos – “Transplante Corintiano” (1968)
É, tem sim algo mais corintiano do que a sede ser na Marginal Tietê: o Sílvio Santos cantando uma marchinha de carnaval sobre o time (composta por Ruth Amaral, Manoel Ferreira e Gentil Junior)
Doutor, eu não me engano / Meu coração corintiano

1-Toquinho – “Corinthians do Meu Coração” (1983)
Diretamente do navio do centenário. E salve-se quem puder:
Corinthians do meu coração / Tu és religião de janeiro a janeiro / Ser corintiano é ser além/ De ser ou não ser o primeiro
*Siga este blog também pelo Twitter @maladalista

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Eurocopa (de canções) 2012




“Quem não adora o som da música em nomes de cidades?”, pergunta trecho da letra de uma das canções desta lista. Se os nomes são de cobiçadas capitais europeias, então, há um pouco mais de chance dos títulos das composições soarem bem. Dependendo do caso, é claro.

Em celebração a esta maravilha esportiva chamada Eurocopa, o Mala da Lista compra um bilhete low cost imaginário e percorre o arquivo não-secreto das melhores músicas batizadas simplesmente com o nome das metrópoles-chave do Velho Continente. Algumas rendem emocionados tributos, enquanto outras – entre as quais três totalmente instrumentais - sugerem a atmosfera das urbes citadas.

Só valem as batizadas com apenas o nome da cidade (“London Calling” e Mulheres de Atenas” não, portanto). E têm que ser capital.



10-Friendly Fires – “Paris”

“Um dia poderemos viver em Paris/ Eu prometo”. Aposto que os afetadinhos ingleses já podem fazê-lo, depois de acumular hits como este.


9-Beirut  - “Bratislava”

Foi em uma viagem que o precoce Zach Condon se transformou no perfeito ianque dos Balcãs, trazendo a seu pop as artimanhas do folclore do Leste. Na memória permaneceu a capital eslovaca, traduzida neste tema sem vocais, que ficou de fora do show do Primavera Sound há duas semanas. (OK, o tradicional top 5 melhores shows do festival: 5-The Pop Group 4-Death Cab For Cutie 3-Yo La Tengo 2-Shellac 1-The Cure)


8-Django Reinhardt – “Stockholm” (193?)

Globalizados eram os anos 1930: um cigano belga e seu grupo francês usando um ritmo americano como o jazz para homenagear o DF sueco.


7-Damon & Naomi – “Helsinki” (2011)

A bacanuda dupla indie americana voltou à ativa após quatro anos em grande estilo, reclamando de “ruas frias demais para serem chamadas de paraíso” na Finlândia.


6-Orange Juice – “Moscow” (1980)

Não foi, obviamente, mas poderia ter sido o tema das Olimpíadas de Moscou, em 1980 (a banda escocesa tem outra versão da mesma composição chamada “Moscow Olympics”).


5-Prefab Sprout – “Dublin” (1989)

É desta música a frase que abre este post. Uma sensível homenagem da banda inglesa à vizinha irlandesa Dublin, “enfermeira de sonhos amargos”.


4-Ultravox – “Vienna” (1980)

A face "baladas grandiloquentes" do tecnopop. Oh, Viena.


3-Caetano Veloso – “London London” (1971)

Só fez sucesso mesmo na versão do RPM, mas a original é clássica, como praticamente todo o repertório que o deprimido Caetano criou e gravou no exílio em Londres.


2-Lou Reed – “Berlin” (1973)

Continuando no assunto depressão, por sinal, o álbum conceitual do ex-Velvet Underground sobre um atormentado casal de junkies está entre seus trabalhos mais, digamos, intensos. A faixa-título – em registro histórico da época, com a presença de John Cale -  não nega.


1-David Bowie – “Warzsawa” (1977)

Eis que triunfa justamente Varsóvia, capital da Polônia, um dos países-sede da Eurocopa.
Pois a Berlim de Lou Reed foi, também, a casa de Bowie no final dos anos 1970. Atraído por Brian Eno – Iggy Pop viria na bagagem pouco depois -, o então enfarinhado Duque Branco se inspirou-se para antecipar a estética futurista da década seguinte em obras-primas como “Low” e “Heroes”, ambos lançados em 1977. O mítico lado 2 de “Low” abre com “Warzsawa”, tão marcante que serviria para nomear (em sua versão inglesa, “Warsaw”) o Joy Division em seus primeiros anos.
Obcecado pelo que existia do outro lado do Muro berlinense, Bowie compôs com Eno uma peça que transmitia estranhamento e sensação de desamparo condizentes à perfeição com o que presenciara numa visita à Polônia, então subjugada pelo império comunista soviético. Escute e você terá a plena sensação de haver passado uma fria e melancólica tarde na Warzsawa de 1973. Com direito a embromation polaco ao final.


 *Siga este blog também pelo twitter @maladalista.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

It was 45 years ago today




Ou quase isso. É na próxima sexta-feira, 1º de junho, o 45º aniversário do lançamento de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”.

Para muitos, a obra mais importante e inovadora dos Beatles – eu adoro, mas considero “Revolver” o grande divisor de águas -, segundo outros tantos o melhor álbum da história e na opinião de alguns, até – como o escritor americano John Sellers, que classifica o oitavo trabalho de estúdio do Fab Four como “constrangedor” -, apenas um disco supervalorado.

Destrinchar “Sgt. Pepper’s...” musicalmente renderia horas de chuva no molhado. Para isso, melhor mesmo é se debruçar sobre livros como “Um ano na Vida dos Beatles e Amigos” (2007), do inglês Clinton Heylin, que investiga o que outros artistas com aspirações vanguardistas (de Velvet Underground a Pink Floyd) estavam aprontando enquanto os rapazes de Liverpool preparavam seu produto mais famoso. Minha sogra foi quem me deu (por isso ela é a minha sogra).

Mas o Mala da Lista prefere abraçar a pegada metalinguística da proposta da capa do disco, assinada por Peter Blake e Jann Harworth, na qual os Beatles celebram as personalidades que mais admiravam (de Marlon Brando a Bob Dylan, passando por Oscar Wilde e William S. Burroughs) posando como a "banda do Sargento Pimenta" na companhia de suas versões em papelão, tamanho natural.

Ficamos então com as dez melhores entre as dezenas de “releituras” do projeto de Blake e Harworth. Claro, porque também em termos de portadas satirizadas ou reverenciadas, ninguém bate os Beatles. Alguns sites especializados contabilizam até 79 sátiras ou homenagens à portada da bolacha (se contarmos as capas de álbuns como “With The Beatles”, “Let It Be” e principalmente “Abbey Road”, o número dispara).

10-Def Leppard - “Songs From the Sparkle Lounge” (2008)


Um astronauta aqui, um transformista ali, um gato, e várias fotos dos integrantes da banda em diferentes épocas. Para quem esperou mais de 40 anos para ter essa ideia, podiam ter aparecido com algo melhor.

 9-Devendra Banhart – “Cripple Crow” (2005)


With a little help of his friends, Devendra consagrava o neo-hippismo do terceiro milênio.

 8-Jun Fukamachi – “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1977)



Este levou a sério demais a mania de procurar mensagens subliminares em audições do disco de trás para frente.

 7-Peter Knight and His Orchestra – “Instrumental Beatles Themes From Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (196?)



Gosto de personagens como o tiozão de maleta e chapéu na ponta direita, e ainda mais do logo da banda fictícia criada por Paul McCartney – que já pensei em tatuar – colado nos livros. This list is getting better all the time.

 6-Vários – “Burning Ambitions: A History Of Punk” (1991)


Falando em livros, esta seria uma trilha sonora adequada para clássicos sobre o punk e o pós-punk como “Mate-me Por Favor” (1997), de Legs McNeil e Gillian McCain, e o fantástico “Rip it Up and Star Again” (2006), de Simon Reynolds. Toda tchurma está aí. Mark E. Smith (The Fall), Clash, Sex Pistols, Jello Biafra (Dead Kennedys), Andy Warhol...

5-Vários – “The Exotic Beatles Part II” (1995)


Coletânea de bizarras covers beatlemaníacas muito bem representada graficamente.

4-The Simpsons – “The Yellow Album” (1998)


Lovely Lisa. Troféu melhor sacada para a família Simpson desenhada à esquerda com os traços toscos das primeiras temporadas. Citação antropofágica vintage, como a reprodução dos jovens Beatles na capa original.

3-Macabre – “Sinister Slaughter” (1993)


Um corriqueiro day in the life durante o período de criação deste álbum envolvia os integrantes da banda americana de death metal pesquisando obsessivamente sobre serial killers verdadeiros, para finalmente comporem canções sobre estas dóceis criaturas. São elas que aparecem também na capa. Vai encarar?

2-Zé Ramalho – “Nação Nordestina” (2000)


Um primor. E se tivesse que ficar com um dos lindos objetos decorativos, seria a foto desbotada do casal, que não deve faltar em casa nordestina que se preze. Sobre o personagem, nem pestanejaria: Maguilão (à esquerda) na cabeça.

 1-The Mothers of Invention “We’re Only in It For The Money” (1968)


Frank Zappa (1940-1993) zombava dos hippies. Se espantava com o fato de que levassem tão a sério as mensagens do Flower Power, e achava que bandas como os Beatles havia transformado aqueles ingênuos anseios em simples produtos comerciais.

Trajando vestido curto e maria-chiquinha à frente da banda – igualmente travestida -, o Bigode vai para o trono pela coragem de questionar algo tão unânime e com tal velocidade – menos de um ano depois – e por trazer Jimi Hendrix (1942-1970) como convidado. Não um Hendrix de papelão, como o conceito original de “Sgt. Peppers...” determinava, mas o mítico guitarrista em carne e osso, na ponta direita. Foram inicialmente censurados pela gravadora, apesar do próprio Zappa ter telefonado para Paul McCartney pedindo permissão para o sarro.

*Siga este blog também pelo twitter: @maladalista

terça-feira, 8 de maio de 2012

Música visual para hospitais



Felizmente, a única sequela de minha recente temporada de visitas diárias a um ente (mais do que) querido em um hospital foi esta: uma lista de capas de discos povoadas por seres e sombras do universo dos quirófanos e corredores.

Estão todos aqui: médicos, enfermeiras e, sobretudo, os sempre pacientes... pacientes.

Saúde!

10-Three Dog Night – “Hard Labor” (1974)

Diagnóstico: overdose de mau gosto. Logo foi censurada com um band-aid:


9-Little Willie John – “Fever” (1956)

Na falta de uma esferográfica, vale tomar nota com o termômetro.

8-4 Out of 5 Doctors – “2nd Opinion” (1982)

A corriqueira visão do paciente quando a morfina bate.

7-Scorpions – “Blackout” (1982)

“My eyes! My eyes!”

6-Blink 182 – “Enema of the State” (1999)

Pelo menos nas capas essa banda acertou algum dia.

5-Blur – “Blur” (1997)

A mais realista e aflitiva do ranking.

4-Rainbow - Difficult to Cure (1981)

O cirurgião-chefe é a cara de Jack Sheppard, o médico bonzinho de “Lost”.

3-Sonic Youth – “Sonic Nurse” (2004)

Poderia ser a versão enfermeira da Kim Gordon. Fetiche puro, leia-se.

2-Radiohead – “The Bends” (1995)

Não sei o que é mais pertubador: o uso na capa de manequim de cursos para ressuscitar doentes cardíacos, ou sua semelhança com Thom Yorke.

1-Jeffrey Lewis & the Junkyard “‘Em Are I” (2009)

Ah, os “doente-múmias”. Tão essenciais para a estética do HQ quanto a bigorna caindo da cobertura de um prédio.

*Siga este blog também pelo twitter: @maladalista

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um olho no peixe, outro no prato


Levon Helm (1940-2012) com The Band em 1970 (Foto: LA Times)

"Os bateristas me pediam para que lhes fizesse soar como Levon Helm, e eu respondia: 'para isso, você tem que tocar como o Levon Helm'", me disse em entrevista de 2008 o produtor americano Joe Boyd (Pink Floyd, Nick Drake, R.E.M.).

Falecido na quinta-feira passada em Nova York, aos 71 anos, em decorrência de um câncer na garganta, o multi-intrumentista e vocalista nascido no Arkansas foi, além da espinha dorsal de The Band e sonho de consumo de colegas dos tambores, o baterista-cantor definitivo. Tão definitivo que me inspirou a soltar uma lista que já estava praticamente pronta há tempos: a dos melhores singing drummers.

Aqueles que extrapolam os limites convencionais da coordenação motora, mantendo em grande estilo um olho no peixe e outro no gato. Ou, no caso, um olho no peixe e outro no prato. Sou baterista e me aventurei nisso em bandas da adolescência. Só que me via obrigado a balbuciar qualquer coisa, porque pronunciar letras, segurar a melodia e mexer pernas e braços em sincronia era demais para mim. Desisti.

Só valem, vejam bem, os conhecidos por tocar simultaneamente à cantoria pelo menos em alguma fase da carreira, e não bateras que simplesmente largaram as baquetas rumo ao microfone, tampouco artistas “faz-tudo” frequentemente dados a bumbadas em estúdio (estes permanecem engavetados para outros rankings).

A boa notícia é que nas próximas linhas há uma honesta dose de música de primeira qualidade e algumas surpresas; a má é que vocês já sabem quem ficou com o primeiro lugar.

10-Marylise Frecheville (Vialka)

A mais técnica. E doentia, absolutamente doentia, como o som do duo francês Vialka.


9-Robert Wyatt (Soft Machine)

O mais experimental... e azarado. Antes de cair da janela em uma festa em 1973 e ficar paraplégico, o genial Robert barbarizava com gogó e membros em meio à miscelânea sydbarretiana do Soft Machine. No meio da qual enfiava seus inconfundíveis sussurros em falsete.

8-Karen Carpenter (Carpenters)

A mais surpreendente. Afinal, nem todo mundo sabe que a dona de uma das duas vozes irresistivelmente água-com-açúcar dos irmãos Carpenters era também uma destas bateristas classicamente virtuosas, formada em escola jazzística. E que não tinha problema algum em cantar enquanto rufava.

7-Grant Hart (Hüsker Dü)

O mais objetivo. Algo que contribuía em muito para fechar a sonoridade compacta e eficiente de uma das melhores bandas americanas dos anos 1980. Compositor prolífico, Hart não abria mão de cantar suas próprias canções, o que dava ao Hüsker Dü uma interessante dualidade Lennon-McCartney - o outro criador, Bob Mould, tinha estilo bem diferente. Hart assume o microfone no tempo 5’30” do vídeo, após constrangedora entrevista com espécie de Hebe americana.

6-Phil Collins (Genesis)

O caso mais careca, o mais zoado, o que provavelmente mais sofreu bullying na escola – mas também um dos que melhor exerceram o ofício percussivo-vocal. Reparem: o groove de “No Reply At All” é da pesada. A música toda, na verdade, incluindo a melodia da voz.

5-Ringo Starr (Beatles)

O mais clássico. Como não amar Ringo?

4-Georgia Hubley (Yo La Tengo)

A mais eficiente, para a proposta indie atmosférica do fundamental trio. E a mais fofa – em um show aqui em Barcelona, uma garota da plateia lhe pediu um abraço. Foi prontamente atendida. Canhota, como o careca Phil Collins, e possuidora de um gogó embalador de bons sonhos.

3- Curumin

O mais malandro. Capaz de brincar de Stevie Wonder ao cantarolar e manter o suíngue baterístico no mesmo nível, encaixando viradas como se nada estivesse acontecendo e lançando melodias no MPC. Se jogarem uma bola no palco, ainda desenrola uma embaixadinha de cabeça.

2-Buddy Miles

O com mais pegada. E presença. E vozeirão. Jimi Hendrix e Carlos Santana, que tiveram bandas com o finado colosso, ficavam pianinho quando ele sentava no banquinho.

1-Levon Helm  (The Band)

O definitivo, repito. Como vocalista, se tornou referência pelo timbre áspero e cheio de sentimento, puxado em country e gospel; com as baquetas na mão, dosava à perfeição suíngue, criatividade, pegada e economia de notas. Um ingrediente dominado por poucos de seus colegas, diga-se. Manejando todos estes talentos ao mesmo tempo, era imbatível. 

*Siga este blog também pelo twiter: @maladalista

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De volta à mesa



No fim do ano passado, celebramos a curiosa mania de nos empanturrar em grandes festividades com os melhores clipes em que os artistas comem.
Como na Páscoa não é muito diferente – a minha não foi -, acho que vale voltar ao assunto, resgatando outra fascinante espécie de tributo pop aos glutões: as 10 melhores capas de discos com artistas comendo. Bom apetite.
*Não valem as que trazem comida, mas sem os autores traçando nada. A clássica dos Secos e Molhados, por exemplo, fica para outro post.

10-New York Dolls – “‘Cause I Sez So” (2009)


Para quem vem de décadas de atividade junkie, a pinta dos Dolls no século 21 não está mal. Parece até que eles chegaram a encostar na comida.

9-Undertones – “Hypnotized” (1980)


Fã de Undertones que é fã de Undertones só usa babador estampado com lagosta. Autografado, se possível.

8-George Benson – “Giblet Gravy” (1968)


Babador que, aliás, não seria má ideia para Benson. Ele acaba de jantar o seu prato e agora planeja fazer a mesma coisa com a moça, enquanto sorve um café com olhar canalha de quem vinte anos depois sobreviveria às custas de “Kisses in the Moonlight”.

7-Gilberto Gil – “Refazenda” (1975)


Ah, os anos 70... a época dourada em que convencer executivos de uma gravadora a posar na capa com roupão de motel, comendo sushi, era algo totalmente corriqueiro.

6-Leonard Cohen – “I’m Your Man” (1988)


Ser Leonard Cohen é assim: você tem tanta moral depois de compor uma canção como “I’m Your Man” que até uma imagem sua comendo banana pega bem.

5-Sá e Guarabyra – “Pirão de Peixe com Pimenta” (1977)


No transe da moqueca, Guarabyra já está naquela fase da gengiva anestesiada pela pimenta, avançando direto na travessa de pirão, sem colocar no prato.

4-The Damned – “Damned Damned Damned” (1977)


A dieta punk geração 77 se seguia à base de torta de creme com sabor de couro cabeludo. E muito cuspe.

3-Brother Jack McDuff  “Hot Barbeque” (1965)


O melhor é saber que McDuff tinha todo este apetite para tocar seu órgão Hammond.

2-Jimmy Smith & Wes Montgomery – “Jimmy & Wes: The Dynamic Duo (1968)


E se um jazzista da pesada tirando a barriga da miséria já causa grande estrago, imaginem dois.

1-Ike & Tina Turner “Outta Season” (1969)


Não pude confirmar 100%, mas me parece que a primeira edição deste álbum não trazia duas capas diferentes, mas sim Ike na frente e Tina no verso. 


O que bate com o estilo “macho alfa” do cara. Lugar de mulher, segundo Ike, era na cama, na cozinha e... na contracapa.

*Siga este blog também pelo twitter: @maladalista